O caso de verônica, e o que eu penso sobre isso.

A essa altura você provavelmente já deve ter lido algo sobre o caso de Verônica Bolina, a travesti que foi espancada, torturada, humilhada e reduzida a menos que um animal selvagem dentro de uma instituição do governo que, em seu propósito original, deveria servir como reabilitação para os transgressores da lei. Mesmo o ocorrido sendo muito recente, já li várias reportagens sensacionalistas errando o ponto a ser abordado apenas para impactar e abranger uma maior quantidade de leitores e, honestamente, fiquei enojado ao lê-las. Verônica não foi agredida por ser negra; Verônica não foi torturada por ser detenta; Verônica foi humilhada apenas por ir contra o que é socialmente aceitável pela maioria da população. Não vá pensando que devemos correr com nossas tochas atrás do sistema carcerário ou dos policiais que permitiram tal barbárie, não. O problema, a raíz do problema, está na concepção errônea de que gays, travestis e a patota toda são uma aberração da natureza e que cabe a quem não os aceita, corrigi-los.
Enquanto a população dos EUA sofre com a síndrome do heroísmo, nós aqui no Brasil lidamos com uma versão mais escrachada da mesma, a síndrome do vigilantismo.  Não foram poucas as vezes que ouvi alguém dizer “Espero que o estuprem na cadeia” – direcionando a frase a algum político preso – ou então “Se eu o encontrasse na rua, enchia de porrada” – Direcionando a qualquer um que cometeu algum crime grave. – O brasileiro, rodeado de constantes injustiças e tantos infratores que conseguem sair impunes da lei apenas por terem poder no âmbito político, tomou a justiça em suas próprias mãos; afinal, se nem a lei a funciona, como fará ele para viver numa sociedade mais justa? Linchamentos, agressões e casos como o de Verônica estão se tornando cada dia mais frequentes e infelizmente estão sendo justificados com o argumento ridículo do “Ele/a mereceu.”
Não, amigo. A polícia não é composta por porcos alienados cujo único objetivo de vida é oprimir e agredir aqueles que a atravessa, apesar da mídia sempre pintá-la como tal. A polícia é apenas um reflexo das piores características de nossa sociedade: opressão, impunidade, intolerânica, corrupção e violência. Enquanto permitimos que o comportamento padrão da maioria seja esse, enquanto permanecemos impotentes perante a tantas indignações, NADA vai mudar. Casos ridículos e inaceitáveis como o de Verônica continuarão a acontecer dia após dia e 99% das vezes não serão divulgados como esse foi. Não adianta fingir que a motivação dessa particular agressão foi movida APENAS pela intolerância a homossexuais pois o problema tem inúmeras camadas antes dessa.
Aqui, um texto mais completo, não tão sensacionalista. recomendo a leitura: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/04/as-suspeitas-e-manipulacoes-no-caso-veronica-bolina.html

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Um comentário sobre “O caso de verônica, e o que eu penso sobre isso.

  1. Boa João, muito bem escrito e tenho o mesmo posicionamento sobre o assunto. Isso me lembra MUITO o caso do menino acorrentado no poste e os comentários da Sheherazade e as pessoas aplaudindo…

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