O ato vazio que se tornou o panelaço brasileiro e como protestar efetivamente.

Antes de começar a ler, vamos estabelecer 3 coisas:

1- Não estou dizendo que fazemos errado ao protestar. O ato é necessário, meu objetivo aqui é analisar a consequência que ele poderia estar gerando.

2- Não estou apoiando nem criticando algum partido. Antes de me taxar como coxinha ou comunista (que aparentemente são as únicas duas frentes possíveis a se seguir no Brasil), saiba que não é meu objetivo te ensinar como deve ou não reinvindicar seus direitos, afinal, não tenho autoridade nenhuma no assunto.

3- interprete minha palavras como quiser e de preferência, use-as para refletir um pouco mais sobre o assunto que parece ter um conteúdo tão oco.

Não há muito tempo atrás o brasileiro descobriu uma forma de protesto diferente, contemporânea e fácil de ser reproduzida: O “panelaço”. Sempre foi parte de nosso costume assimilar pedaços da cultura de outros países e, no caso, pegamos emprestado o panelaço da Argentina. Mas infelizmente, esquecemos de emprestar a idéia por trás dele.
Aqui, exercemos uma forma distorcida do protesto que começa durante um programa de TV ou pronunciamento em qualquer veículo público e termina apenas no barulho, quando guardamos a panela parcialmente amassada e voltamos para qualquer tarefa mundana que fora interrompida. Falhamos ao supor que apenas protestar é o suficiente, que apenas demonstrar nosso desgosto com o rumo que o país toma ajudará a mudar alguma coisa. Falhamos, enfim, ao não ir além do barulho das panelas.

Não posso ser tão ingênuo a ponto de bater na mesma tecla que todos batem dizendo que apenas protestar não basta, que ficar parado não adianta, que bater panela só atrapalha a vida dos outros por 5 minutos. Não, o botão que procuro apertar está mais escondido, camuflado por trás da concepção de que nosso barulho assustará o grande predador que é o governo atual. Precisamos entender que o protesto apenas começa nas panelas e precisa sobreviver depois delas, a ideologia por trás precisa seguir adiante e não ser reinvindicada apenas no próximo panelaço ou marcha pelas ruas. Mas  então você me diz: “Falar é fácil. Falar que um trabalhador/estudante/aposentado como eu deve correr atrás da mudança é muito fácil mesmo, mas eu tenho meus compromissos a fazer. Tenho minha própria vida para viver, como então posso protestar, a não ser com minhas panelas?”. Minha resposta seria a mais simples e direta de todas: “Você votou, não votou?”

Talvez seu candidato não tenha ganho a eleição (fato que deve ser provável se você adere ao protesto), mas ainda temos deputados, governadores e senadores, todos eles exercem um poder tremendo sobre o cenário político. Que tal cobrá-los pelo que você luta e defende? Que tal lembrá-los que eles estão lá para representar o SEU interesse, não o deles? Ao invés de concentrar toda sua raiva, seu ódio e descontentamento no PT, PSDB, Dilma, Lula, Aécio, Serra ou qualquer outra figura que te encha de indignação, que tal raciocinar e imaginar que eles não controlam o país sozinhos? Que suas ações são apenas o resultado do consenso de dezenas de assessores e líderes que representam só o interesse próprio? Aqui vai um exemplo: Se alguém no seu trabalho ou qualquer lugar que frequenta está claramente fazendo algo de errado e você sabe que pode ajudá-lo a tomar o rumo certo, qual seria a conduta que você tomaria? Toda vez que ele/a começasse a falar você pegaria sua panela e faria um barulho ensurdecedor até que ele parasse? Diria que está fazendo aquilo porque quer a mudança, mas quando te perguntam qual seria ela você não sabe nem ao menos responder? Convenhamos, ninguém agiria assim. O mais sensato a se fazer é exemplificar os problemas para a pessoa e ajudá-lo/a a resolver.

Estamos ainda engatinhando “no que se refere” a melhor forma de extravazar nosso descontentamento; copiando costumes de outros países, tentando inventar os nossos e formando uma massa desorganizada de pessoas que reinvindicam mudanças variadas. Se eu fosse um político, confesso que teria grandes dificuldades para entender exatamente qual deveria ser minha conduta, afinal, o único pedido que conseguiria ouvir seria o “PÁPÁPÁPÁ” incessante do metal vibrando e por trás dele, o absoluto silêncio. Cobre sim as mudanças que você quer, faça suas exigências serem ouvidas, mostre com barulho e garra que você existe, que o Brasil não está num rumo bom e que nada de produtivo sairá da política atual; mas não pare por aí, cobre tudo isso daqueles que você elegeu como representante, faça deles um megafone mais alto que 210 milhões de panelas batendo simultaneamente e veja que, no final, as ruas e as panelas tornar-se-ão um símbolo dessa nossa época de transição e as gerações futuras tomarão nosso exemplo de protesto como base, assim como nos orgulhamos de dizer que tivemos os tão famosos e reproduzidos “caras-pintadas”.

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