Tudo está estranho.

Eu gosto do que está acontecendo. Gosto mesmo. A todo lugar que me viro, opiniões sobre homossexuais, mulheres, imigrantes, política, religião e aborto borbulham mais e mais.  Nós estamos finalmente questionando, subvertendo a sociedade tão estagnada que vivemos e é curioso saber qual o posicionamento daquele seu amigo ou amiga de longa data, é curioso saber quais são os verdadeiros ideais que correm nas veias de cada um. Porém, essa situação tem um revés e, no caso, um muito preocupante. Ao invés de termos um debate (onde duas ou mais pessoas querem expor suas idéias, sempre tentando prevalecer a sua própria opinião ou sendo convencido pelas opiniões opostas), temos uma discussão. Discussão (segundo meu amado Google) é a defesa apaixonada de pontos de vista, um desentendimento, uma briga.
Me parece que todos tiveram a súbita vontade de expor seus ideais para o mundo, mas esqueceram que esta via é de duas mãos, que outras pessoas podem ter opiniões diferentes da sua e é isso que gera o engrandecimento do debate. Me parece que a única preocupação é a vontade de se sentir moralmente melhor que os outros, de mostrar que você é um indivíduo sem preconceitos e aberto aos novos ideais da sociedade que estão surgindo. Me parece que todos agora são policiais do politicamente correto, farejando tudo aquilo que não se encaixa nos pontos de vista utópicos propostos para poderem ter a oportunidade de vomitar suas próprias opiniões sobre outros.
Você é a favor do aborto? Se exponha e seja criticado  fervorosamente por fundamentalistas religiosos; você é contra? Se exponha e seja criticado por todo o resto. Acha que casamento gay é bom? Se exponha e sofra na mão de defensores da família; acha que é ruim? Se exponha e seja criticado pelo mundo todo. Acredita que a mulher é extremamente oprimida pela sociedade? Experimente dizer isso para uma bancada evangélica e veja o que acontece; acredita que não? Coitado, feministas e simpatizantes do movimento nunca mais te deixarão em paz. Nada mais é permitido, tudo pode e vai ser criticado por alguém porque ninguém mais quer convencer o outro de sua opinião, esperam que ela seja aceita simplesmente porque é sua, esperam que todos apenas a engulam e fiquem quietos fazendo digestão. No final, o que fazem é andar em círculos sem nem notar a repetição da paisagem.
Há um exagero por parte de muita gente. Qualquer coisinha já é argumento para ser taxado de racista, homofóbico, machista, feminista e todos os outros “-istas” e “-óbicos” imagináveis. Não é porque alguém não gosta de mulher peluda que ele/ela é machista ou é contra a diversidade de corpos. Não é porque alguém acha estranho ver um travesti na rua que ele/ela é homofóbico (ou transfóbico, sei lá. São tantas denominações que me perco). Acalmem-se. São apenas opiniões, estranhamentos. Se você diz que não os tem eu automaticamente concluo que seu objetivo é parecer superior a todos (tudo bem, isso realmente pode não te causar estranhamento algum, mas tenho CERTEZA que não é o caso com a grande maioria). Também me dói ver certas opiniões e brincadeiras com fundo de verdade por aí, claro. Mas pense mil vezes antes de tentar expor algum argumento seu, nas consequências e no resultado que ele pode trazer. Se pergunte “Será que vai ser construtivo?” e se a resposta não for um imediato SIM, maíúsculo e decidido, talvez não valha a pena seu esforço.
Parece faltar calma na ânsia que temos de debater coisas tão novas para a gente. 99,99% de tudo que vi até agora virou briga entre dois lados, principalmente quando o assunto é feminismo ou homofobia. Isso só contribui para o desinteresse de outras pessoas entrarem no debate, afinal, para que tentar dizer o que pensa se ninguém vai realmente te escutar e a probabilidade de te criticarem cegamente por qualquer coisa é muito alta? Tenham mais calma, por favor. Toda essa raiva para defender seus ideais vai acabar afastando muita gente do debate e por fim, polarizar de vez as opiniões, com constantes ataques uma à outra mas sem nenhum consenso no horizonte.
Pense muito antes de defender ou contestar algo, seja um movimento, um  impeachment político, uma religião ou um desastre natural, pense no que isso pode gerar. Se não for contribuir para nada e só vá causar um fuá enorme, aprenda a calar-se quando deve. Suas palavras tem mais poder do que você imagina e elas podem e vão moldar (nem que seja um pouco) a opinião de quem as ouve ou lê.  Você, como um membro exemplar da sociedade que provavelmente é (ou finge ser), tem o importante papel de ajudar a formar os pensamentos de todos ao seu redor e permitir que outros ajudem a formar os seus. Blindar-se a isso só evidencia a ignorância de quem prefere gritar para ser ouvido ao invés de dizer algo que todos queiram ouvir.
Mais calma, gente. E mais respeito com todos também.

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O ato vazio que se tornou o panelaço brasileiro e como protestar efetivamente.

Antes de começar a ler, vamos estabelecer 3 coisas:

1- Não estou dizendo que fazemos errado ao protestar. O ato é necessário, meu objetivo aqui é analisar a consequência que ele poderia estar gerando.

2- Não estou apoiando nem criticando algum partido. Antes de me taxar como coxinha ou comunista (que aparentemente são as únicas duas frentes possíveis a se seguir no Brasil), saiba que não é meu objetivo te ensinar como deve ou não reinvindicar seus direitos, afinal, não tenho autoridade nenhuma no assunto.

3- interprete minha palavras como quiser e de preferência, use-as para refletir um pouco mais sobre o assunto que parece ter um conteúdo tão oco.

Não há muito tempo atrás o brasileiro descobriu uma forma de protesto diferente, contemporânea e fácil de ser reproduzida: O “panelaço”. Sempre foi parte de nosso costume assimilar pedaços da cultura de outros países e, no caso, pegamos emprestado o panelaço da Argentina. Mas infelizmente, esquecemos de emprestar a idéia por trás dele.
Aqui, exercemos uma forma distorcida do protesto que começa durante um programa de TV ou pronunciamento em qualquer veículo público e termina apenas no barulho, quando guardamos a panela parcialmente amassada e voltamos para qualquer tarefa mundana que fora interrompida. Falhamos ao supor que apenas protestar é o suficiente, que apenas demonstrar nosso desgosto com o rumo que o país toma ajudará a mudar alguma coisa. Falhamos, enfim, ao não ir além do barulho das panelas.

Não posso ser tão ingênuo a ponto de bater na mesma tecla que todos batem dizendo que apenas protestar não basta, que ficar parado não adianta, que bater panela só atrapalha a vida dos outros por 5 minutos. Não, o botão que procuro apertar está mais escondido, camuflado por trás da concepção de que nosso barulho assustará o grande predador que é o governo atual. Precisamos entender que o protesto apenas começa nas panelas e precisa sobreviver depois delas, a ideologia por trás precisa seguir adiante e não ser reinvindicada apenas no próximo panelaço ou marcha pelas ruas. Mas  então você me diz: “Falar é fácil. Falar que um trabalhador/estudante/aposentado como eu deve correr atrás da mudança é muito fácil mesmo, mas eu tenho meus compromissos a fazer. Tenho minha própria vida para viver, como então posso protestar, a não ser com minhas panelas?”. Minha resposta seria a mais simples e direta de todas: “Você votou, não votou?”

Talvez seu candidato não tenha ganho a eleição (fato que deve ser provável se você adere ao protesto), mas ainda temos deputados, governadores e senadores, todos eles exercem um poder tremendo sobre o cenário político. Que tal cobrá-los pelo que você luta e defende? Que tal lembrá-los que eles estão lá para representar o SEU interesse, não o deles? Ao invés de concentrar toda sua raiva, seu ódio e descontentamento no PT, PSDB, Dilma, Lula, Aécio, Serra ou qualquer outra figura que te encha de indignação, que tal raciocinar e imaginar que eles não controlam o país sozinhos? Que suas ações são apenas o resultado do consenso de dezenas de assessores e líderes que representam só o interesse próprio? Aqui vai um exemplo: Se alguém no seu trabalho ou qualquer lugar que frequenta está claramente fazendo algo de errado e você sabe que pode ajudá-lo a tomar o rumo certo, qual seria a conduta que você tomaria? Toda vez que ele/a começasse a falar você pegaria sua panela e faria um barulho ensurdecedor até que ele parasse? Diria que está fazendo aquilo porque quer a mudança, mas quando te perguntam qual seria ela você não sabe nem ao menos responder? Convenhamos, ninguém agiria assim. O mais sensato a se fazer é exemplificar os problemas para a pessoa e ajudá-lo/a a resolver.

Estamos ainda engatinhando “no que se refere” a melhor forma de extravazar nosso descontentamento; copiando costumes de outros países, tentando inventar os nossos e formando uma massa desorganizada de pessoas que reinvindicam mudanças variadas. Se eu fosse um político, confesso que teria grandes dificuldades para entender exatamente qual deveria ser minha conduta, afinal, o único pedido que conseguiria ouvir seria o “PÁPÁPÁPÁ” incessante do metal vibrando e por trás dele, o absoluto silêncio. Cobre sim as mudanças que você quer, faça suas exigências serem ouvidas, mostre com barulho e garra que você existe, que o Brasil não está num rumo bom e que nada de produtivo sairá da política atual; mas não pare por aí, cobre tudo isso daqueles que você elegeu como representante, faça deles um megafone mais alto que 210 milhões de panelas batendo simultaneamente e veja que, no final, as ruas e as panelas tornar-se-ão um símbolo dessa nossa época de transição e as gerações futuras tomarão nosso exemplo de protesto como base, assim como nos orgulhamos de dizer que tivemos os tão famosos e reproduzidos “caras-pintadas”.

A sensação de que a vida passa cada vez mais rápida

   A vida começa a passar diante de seus olhos logo após seu nascimento. Eras inteiras são vividas nesses primeiros poucos meses, quando você se sente inseparável do próprio mundo em si, sem nada para fazer, a não ser vê-lo passar. A princípio, o tempo é sentido apenas indiretamente, como algo que acontece a outras pessoas. Você se acostuma a viver no momento, porque não há outro lugar para ir. Mas logo, a vida começa a se mover, e você aprende a se mover com ela. E você acredita que é uma pessoa diferente a cada ano, com um corpo diferente… um futuro diferente. Você corre por aí tão rápido que o mundo ao seu redor parece estar parado, até as férias parecem esticar-se por uma eternidade.

     Então, você começa a sentir o tempo se movendo para frente, aprendendo seu ritmo, mas sempre de vez em quando, ele pula uma batida. Como se seu aniversário chegasse um dia mais cedo a cada ano. Devemos considerar a ideia de que a juventude não é desperdiçada nos jovens. Que os dramas deles não são maiores do que deveriam ser, que suas emoções fazem todo o sentido quando você as ajustas de acordo com a inflação. Para alguém passando pela adolescência, a vida soa épica e trágica, simplesmente porque ela é. Cada torção no seu dia pode facilmente deformar o arco de sua história, porque cada ano vale um pouco menos do que o último.

Cada aniversário nós circularmos de volta, e atravessamos o mesmo ponto em torno do sol, e desejamos uns aos outros muitas felicidades. Mas logo você começa a sentir que esse círculo está apertando, e você se dá conta que ele é uma espiral, e você já está na metade. Conforme cada vez mais partes de seus dias se repetem, você começa a se livrar da inércia, e sentir o firme puxão em direção ao seu centro de gravidade, e ao lastro de memórias que você se agarra. Até que tudo parece mover-se sob sua própria inércia, Assim, mesmo quando  você se senta, parece que você está indo  em direção à algum lugar. E mesmo que amanhã você corra um pouco mais rápido, e estique os braços um pouco mais longe, você ainda vai sentir os segundos indo embora enquanto você deriva ao redor da curva. A vida é curta. E a vida é longa. Mas não nessa ordem.

O caso de verônica, e o que eu penso sobre isso.

A essa altura você provavelmente já deve ter lido algo sobre o caso de Verônica Bolina, a travesti que foi espancada, torturada, humilhada e reduzida a menos que um animal selvagem dentro de uma instituição do governo que, em seu propósito original, deveria servir como reabilitação para os transgressores da lei. Mesmo o ocorrido sendo muito recente, já li várias reportagens sensacionalistas errando o ponto a ser abordado apenas para impactar e abranger uma maior quantidade de leitores e, honestamente, fiquei enojado ao lê-las. Verônica não foi agredida por ser negra; Verônica não foi torturada por ser detenta; Verônica foi humilhada apenas por ir contra o que é socialmente aceitável pela maioria da população. Não vá pensando que devemos correr com nossas tochas atrás do sistema carcerário ou dos policiais que permitiram tal barbárie, não. O problema, a raíz do problema, está na concepção errônea de que gays, travestis e a patota toda são uma aberração da natureza e que cabe a quem não os aceita, corrigi-los.
Enquanto a população dos EUA sofre com a síndrome do heroísmo, nós aqui no Brasil lidamos com uma versão mais escrachada da mesma, a síndrome do vigilantismo.  Não foram poucas as vezes que ouvi alguém dizer “Espero que o estuprem na cadeia” – direcionando a frase a algum político preso – ou então “Se eu o encontrasse na rua, enchia de porrada” – Direcionando a qualquer um que cometeu algum crime grave. – O brasileiro, rodeado de constantes injustiças e tantos infratores que conseguem sair impunes da lei apenas por terem poder no âmbito político, tomou a justiça em suas próprias mãos; afinal, se nem a lei a funciona, como fará ele para viver numa sociedade mais justa? Linchamentos, agressões e casos como o de Verônica estão se tornando cada dia mais frequentes e infelizmente estão sendo justificados com o argumento ridículo do “Ele/a mereceu.”
Não, amigo. A polícia não é composta por porcos alienados cujo único objetivo de vida é oprimir e agredir aqueles que a atravessa, apesar da mídia sempre pintá-la como tal. A polícia é apenas um reflexo das piores características de nossa sociedade: opressão, impunidade, intolerânica, corrupção e violência. Enquanto permitimos que o comportamento padrão da maioria seja esse, enquanto permanecemos impotentes perante a tantas indignações, NADA vai mudar. Casos ridículos e inaceitáveis como o de Verônica continuarão a acontecer dia após dia e 99% das vezes não serão divulgados como esse foi. Não adianta fingir que a motivação dessa particular agressão foi movida APENAS pela intolerância a homossexuais pois o problema tem inúmeras camadas antes dessa.
Aqui, um texto mais completo, não tão sensacionalista. recomendo a leitura: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/04/as-suspeitas-e-manipulacoes-no-caso-veronica-bolina.html

Pearl Jam, música.

(texto antigo)

A música é subjetiva, sem dúvida. Eu postar isso não quer dizer que a minha banda é melhor do que a sua ou qualquer outra bobagem. Mas para aqueles que estão à procura de autenticidade, poesia e um zeitgeist humanista, aconselho-os a descobrir Pearl Jam.
Esta é uma tentativa de introduzir pelo menos alguém a um grupo de artistas que realmente mudou minha vida para melhor. Raiva, medo , apreciação, alegria, humildade, gratidão, amor, paixão, perda, dor , perseverança – cada emoção abordada com cuidado e expressadas através de som. Música que te move para cima e para baixo, para os lados, te gira um pouco e a cereja no topo é o seu compromisso com uma performance ao vivo ridiculamente boa.
Eu espero que você vá ouvir “Life Wasted “, ” Rearviewmirror “, ” Sirens”, ” Marker in the Sand “, “Come Back” , “Lightning Bolt” , ” Not For You” e ” Nothingman “…
me senti obrigado a compartilhar depois de ter assistido PJ20 e espero que alguém descubra um pouco do trabalho deles.

O que te motiva?

Trabalho, tarefas, provas, testes, afazeres da casa, contas a se pagar, dívidas a quitar, aquele obstáculo ou pessoa que sempre te impede de cumprir os objetivos com facilidade, prazos, imprevistos, trânsito e o tempo te empurrando incessável e incansávelmente até o dia que não conseguirá mais acompanhar seu passo. Com todos estes pontos, todos estes empecilhos e estresses (muitas vezes indesejados) que encaramos dia após dia, o que realmente nos mantém nos trilhos? Família? Amigos? Dever? Rotina? Ou será isso simplesmente nossa programação natural, pré-programada em nosso DNA e reforçada ao longo de anos de criação?
Se você sente prazer em realizar todas as tarefas de todos os seus dias, sinto muito, não escrevi este texto direcionado a você. Você não precisa ler o que está aqui contido pois já achou seu propósito na vida e provavelmente, algum bom motivo para trilhar seu caminho; aconselho que pare por aqui e vá fazer algo de mais produtivo com seu tempo. Me direciono àqueles que alguma vez já se perguntaram o porque de continuar fazendo o que fazem sendo que, muitas vezes, os obstáculos parecem muito grandes, as condições muito adversas, as tarefas muito irritantes. Por fim, àqueles que esporadicamente desejam jogar tudo para o alto e, desculpe a expressão, “que se foda”.
Antes de tudo, acho que preciso considerar os objetivos maiores por trás do porquê se sujeitar a tais desaforos. Prover para sua família talvez seja a melhor e mais aceitável justificativa de todas. Por mais que eu não tenha a idéia de como é essa sensação, tenho certeza que me sujeitaria as tarefas mais humilhantes da terra para simplesmente poder provê-los com o melhor que posso. A segunda, mas não menos importante, creio que seja a vontade se tornar alguém. Não foram poucas as vezes que me senti inspirado por histórias de professores ou colegas que batalharam muito para chegar aonde estão e tenho certeza que você já sentiu o mesmo. Se 5, 10, 15 anos de esforço árduo são necessários para ser alguém respeitado na área desejada, o sacrifício merece reconhecimento e respeito, pois é um dos mais nobres de todos.
Por mais que as dificuldades lhe tenham feito visita diversas vezes e as dúvidas do porquê continuar foram/são parceiras constantes do seu trajeto (qualquer que seja o destino) e você continuou a perseverar apesar dos motivos para desistir, parabéns. Você tem o meu mais sincero respeito e admiração; sei que terminar algo começado é uma qualidade extremamente valiosa na sociedade imediatista de hoje e achar uma motivação mais forte que as desavenças é sim um trabalho árduo.
Todavia, eu não gostaria de viver num mundo aonde tudo viesse fácil, aonde todos soubessem exatamente o que gostariam de fazer e tudo corresse com fluidez. Utopias me parecem extremamente monótonas, sob a minha concepção, a real graça da vida está nessas pequenas imperfeições que nos circulam como uma constante, sempre lá para proporcionar o imprevisto, sempre lá para nos surpreender. Se tudo sempre desse certo, o sentimento de realização e de finalmente chegar ao que se deseja depois de muito trabalho e dedicação, não existiria. Para mim, esse sentimento é uma das motivações mais fortes para continuar fazendo o que faço e não abriria mão de almejá-lo por obstáculo nenhum.

A sensação de pertencer

Alguma vez você já olhou ao seu redor ficou extasiado com as novas cores, sons, pessoas e costumes que te cercavam? Já sentiu a adrenalina de mudar seus hábitos familiares, mesmo por um curto período de tempo, e não ver a hora de compartilhar a experiência com seus amigos de longa data? Experimentou a sensação de perceber que o seu mundo é muito pequeno comparado com todos os outros que existem país afora? Se sua resposta foi sim para qualquer uma destas perguntas, parabéns. Você, ao menos uma vez,  saiu da sua zona de conforto, saiu de seu lar.  Claro, muitas pessoas nunca precisaram  e nem precisarão sair do lugar de onde vieram. Nascem, crescem e morrem no mesmo lugar e, ao mesmo tempo que os invejo, sinto pena.

Os invejo pois nunca precisarão sentir o desamparo que é estar um lugar completamente desconhecido, nunca vão duvidar da mudança drástica que escolheram,  nunca precisarão sentir saudade da família e dos verdadeiros amigos que agora são, em sua maior parte, lembranças de um passado distante que esporádicamente reaparecem para saciar a angústia da distância. A vida torna-se mais fácil sem precisar sair do conforto que é estar ao redor de quem realmente importa e, vamos admitir, todos desejamos que a vida seja fácil.

Por outro lado, como disse, sinto pena.  Seu mundo sempre será muito pequeno e muito regional comparado a todos os outros que existem;  as oportunidades e os novos horizontes vão tender a tomar distância dos indivíduos , afinal, só podem aparecer se você for atrás dos mesmos;  a oportunidade de descobrir quem você realmente é e de testar toda a criação absorvida em casa dificilmente irá florescer e, se o fizer, só virá tardiamente e este último ponto, sob meu julgamento, é pior de todos.

A necessidade de pertencer a algum lugar deve ser um ponto vital para manter a sanidade ,  a busca pelo lar sempre será um ponto crítico na vida de cada um. Não sair da zona de conforto pode até não ser um problema tão grande quanto o fiz parecer mas, digo por minha experiência, se o mais novo nômade tiver a coragem e determinação de persistir  e remediar as adversões geradas pela mudança  algum dia elas irão passar e, todas as cores, sons, pessoas e costumes que parecem ter sido esquecidos num lugar muito distante irão retornar; mais fortes, brilhantes e gratificantes, estabelecendo na sua vida, pela primeira vez, um novo lar.

Por que não ter conteúdo faz tanto sucesso?

Este é daqueles tipos de assunto que sempre terá alguém para reclamar ou criticar sem nem ao menos adicionar um ponto de vista diferente à discussão. Meu objetivo com esse texto não é o de dar um veredito final ao assunto, muito menos te convencer que estou certo, mas sim, de expor o meu ponto de vista, meu lado da história e, esperançosamente, ouvir a opinião de vocês. Sem mais delongas, vamos ao ponto: Por que o esforço, trabalho duro, dedicação e talento muitas vezes passam despercebidos em nosso meio sem ao menos terem reconhecimento e algo, por exemplo, como uma música de funk cantada por um menino de 12-13 anos , exaltando bunda, peito, rebolada e festa, tem tanto espaço na mídia e gera retornos inimagináveis por tão pouco esforço e talento?
A resposta é simples: Nós gostamos do simples. Gostamos de assistir e ouvir certas coisas só para depois disseminar o absurdo para outras pessoas “Olha só fulano! Olha o que esse menino/a fez, olha o que ele/a ta falando!”. Não nego que fiz e ainda faço coisa do tipo, mesmo sabendo que tal conteúdo não acrescenta nada na vida de ninguém e mesmo sabendo que estou incentivando a aparição de mais dessas assombrações, cada vez mais escrachadas e sujas. O mesmo vale para livros, séries, filmes e até mesmo os protestos sem objetivo claro (que viraram moda no Brasil). Para exemplificar, bastam apenas 2 passos; pergunte-se: Quantas pessoas você conhece que já leram o polêmico “50 tons de cinza”?, agora, reformule a pergunta:  Quantas delas já leram algum livro sobre política? sobre filosofia? sobre questões sociais? Meu objetivo deve se esclarecer trivialmente, a resposta, claro, é no máximo muito baixa; e o resultado reflete o que venho tentando dizer até agora: O conteúdo sem-conteúdo é muito mais interessante do que um outro que requer tempo e dedicação para começar a entender seu significado. Claro, uma boa faculdade e um bom curso superior obviamente vão te levar à algum lugar e, infelizmente, ser um personagem midiático de circo que entretêm a população quase que desesperadamente também te leva, mas te leva numa Mercedes.
Sempre vejo, no meu próprio nicho da área de engenharia, pessoas depois de anos e anos de trabalho duro, cansativo, desmotivador e difícil aceitando trabalhos que são um insulto a toda sua dedição, pelo simples motivo de ser a ÚNICA saída, tendo em vista a dificuldade de encontrar emprego que faça jus a todo o sofrimento passado. Enquanto isso, a mulher que se injeta que com um hidrogel e um cara que só quer que o monstro venha ganham rios de dinheiro com publicidade por simplesmente serem o ápice do culto ao nada. Meu sensor de injustiça sobe, sobe e explode o medidor. Depois, volta ao 0, pois percebo minha impotência perante o tanto de dinheiro gerado por todas as futilidades. Me resta só aceitar, expor minha opinião e ser apenas mais um frustrado.
Após ler todo este texto, sabe o que vai mudar? Nada. Disse que meu objetivo era simplesmente expor minha opinião sobre o assunto e ficarei muito feliz se consegui fazer com que ao menos uma pessoa entendesse o meu ponto de vista. Toda crítica é bem-vinda, e, se quiser, eu gostaria de também saber o seu ponto de vista!
Bjunda.

Algum capítulo de alguma coisa

Escuridão, dor, Zumbidos. o gosto familiar de metal, líquido em sua boca. Em meio a desorientação e a desordem da batalha Aarin sabia que teria de se levantar, e rápido, se quisesse fazer todas aquelas mortes valer a pena. Seu inimigo corria e gritava e sua direção, com um pequeno sorriso e os olhos de um animal que sabe que matou sua presa; -Aonde está a merda do meu martelo?- Aarin pensava enquanto vasculhava seus arredores com o movimento dos olhos.

– Que maravilha. – Seu martelo havia caído colina abaixo, não tão longe, mas ainda sim sem chances de alcançá-lo a tempo. não teria chance de escapar de seu caçador, ele estava muito perto, muito rápido, muito… em pé. Olhou para o céu, se fosse morrer, que seja olhando para as estrelas. De repente, um borrão vermelho passa rodopiando no meio daquela imagem e imediatamente Aarin sabia o que havia acontecido. Birger veio ajudá-lo.

-Minha nossa! Olha isso irmão! Olha! Eu sou praticamente um artista! – Com um sorriso estúpido no rosto. – Vamos lá! levante-se! Aonde está seu martelo?
-Nos arbustos – Aarin respondeu – vá buscá-lo que eu busco seu machado.
-Sabia que você ia estragar minha diversão. Clássico. – Birger retrucou, ainda com o sorriso estúpido. – Rápido!, não temos muito tempo, o Barão já percebeu a emboscada e se prepara para fugir.

Aarin se levantou, ainda tonto pela pancada. Maldito Birger. Seu machado estava cravado bem no meio da testa do homem, cuja cara se assemelhava a de um maníaco, com os olhos abertos e um sorriso demente. Era realmente uma obra de arte se pararmos para pensar, de um artista bárbaro homicida, mas ainda sim, arte. Aarin retirou o machado adornado com uma fita vermelha do crânio do homem e foi em direção ao seu irmão, que sofria para carregar o pesado martelo de guerra.

– Aqui está. Agora devolva meu machado, se não minha lança vai ficar triste.
– Colina acima, Birger. Tenho a sensação que o Barão não vai esperar muito mais tempo – e começaram a correr, ignorando o derramamento de sangue ao seu redor e o massacre que suas forças estavam sofrendo – Ignore, Birg. Nós temos uma única missão e não podemos nos distrair. o Barão morre, hoje.

Uma vez no topo da colina, os dois se depararam com o Barão, esperando-os rodeado por, no mínimo, 40 guarda-costas de armadura completa, parecendo estátuas gigantes.
-Eu sabia que você ia fugir e se esconder, seu covarde! Você nunca foi homem o suficiente. – Aarin cuspiu ao chão – venha e nos enfrente, verme.

SIlêncio foi tudo o que receberam como resposta. De repente, a formação começou a se abrir, lentamente, solenemente, para revelar o Barão em seu centro. Equipado com sua armadura preta espinhada e duas espadas o Barão realmente parecia intimidador. Birger estava nervoso, todos os músculos em seu corpo queriam correr para cima do homem e socá-lo até sua cabeça afundar, mesmo sabendo que o matariam antes mesmo de tocá-lo. Aarin, percebendo a inquietação do irmão, deu um passo à frente.

-Estou cuidando bem de sua orelha, olhe! – tirou um pano de um vão de sua armadura e desembrulhou-o, revelando um pedaço podre e preto de carne – Acho que vou pendurá-la no pescoço depois de cortar o resto da sua cabeça fora.

-O senhor certamente é um homem interessante, Aarin. – o Barão disse, quebrando seu silêncio – Nunca pensei que essa sua rebeliãozinha fosse durar tanto tempo, muito menos que fosse me custar uma orelha. – de repente, ele começa a bater palmas e rir incontrolávelmente – Mas tenho que ser honesto, há muito tempo não me divirto assim. Seus homens serviram como um bom treinamento para meu exército, se eu não te odiasse tanto assim, poderia te manter vivo para ver seu irmão morrer lentamente enquanto eu o torturo, dia após dia após di…
-Ei! Orelheta! Vá se foder! Um homem é feito mais do que só palavras – Birger disse, com fumaça saindo da cabeça raiva. Um ato que iria custar muito caro para os dois irmãos.
– Então o cão sabe falar! Interessante… Bom, estou vendo que os dois querem me provocar até que eu saia da minha proteção. Façamos o seguinte: Vocês dois contra mim e 9 dos meus melhores guarda-costas, que tal? Ou vocês preferem esperar a guerra lá embaixo acabar e ser vocês dois contra todo meu exército? Escolham rápido, minha paciência está acabando.
-10 contra 2 não parece justo, não? Que tal eu contra você? – Aarin tentou um último apelo, talvez o barão seja orgulhoso.
-Hahahaha, o mundo não é justo, caro Aarin. Agora, marchem para sua morte.

Ao entrar no círculo, uma parede daquelas montanhas em armadura se formou, delineando a área da batalha. De um lado, os dois irmãos, machado e lança, martelo e escudo, preparados para lutar até a última gota de vida. Do outro, nove montanhas faziam uma formação e o Barão ficava atrás dela; sentou no chão, cruzou as espadas, fechou os olhos e, sem aviso prévio:

-Comecem.

As nove montanhas começaram sua marcha, devagar, sem medo dos dois oponentes que viam a sua frente. Aarin correu em direção aos 9, escudo levantado, com Birger logo atrás. Chegaram na distância desejada e Aarin se agachou para Birger arremessar sua lança contra a montanha da esquerda, acertando-a em cheio no peito e derrubando-a.

-Agora são só 8, irmão.
-É, só 8.

Começaram a correr em direção ao primeiro corpo caído para recuperar a lança de Birger e agora as montanhas davam sinal de vida e a golpeá-los antes que conseguissem atingir seu objetivo

-Não podemos ser encurralados, Birg! Só tenho um escudo! – o barulho das vozes e do som de impacto do metal se misturavam numa sinfonia retorcida
-Eu sei seu tapado, eu que te ensinei isso. A sua direita!! – a espada da maior das montanhas se chochou na lateral do escudo de Aarin, fazendo com que seu braço estremecesse devido ao impacto, e Birger, vendo sua oportunidade aparecer, acertou o machado na cabeça desprotegida da montanha, que ainda estava com a guarda baixa – Agora 7!

Aarin recuou com Birger ao seu lado, as montanhas restantes estavam conseguindo encurralá-los contra o círculo e, do outro lado, o barão continuava sentado, de olhos fechados, como se tudo aquilo o ajudasse a ter uma boa noite de sono. Começaram a ser atacados, 3 contra cada e um último restante pacientemente aguardando sua vez, afinal, sabia que aquilo não ia demorar muito. Birger precisava de sua lança, arremessá-la no começo do duelo não fora uma boa idéia, eles estavam sendo massacrados. O grande martelo de Aarin só servia para afastar seus inimigos por um tempo, seu ferimento na cabeça não tinha parado de sangrar e incapacitava parte de sua visão, seu escudo estava sendo constantemente atacado e Birger não conseguia fazer outra coisa se não defender os ataques em sua direção. Nós não vamos conseguir, vamos falhar com a rebelião. Todas aquelas mortes em vão..

-Aar! Nós temos uma única missão e não podemos nos distrair. o Barão morre, hoje. é o que você disse. Me ajude a pegar minha lança de volta!

Não precisavam combinar táticas, Birger conhecia Aarin e Aarin conhecia Birger, estavam conectados por muito mais que só sangue. Aarin empurrou dois de seus oponentes no chão com o escudo e martelou o pescoço do terceiro.

-2 a 1 pra você ainda, Birg.

Birger aproveitou a chance, chutou seu oponente mais à frente abrindo espaço suficiente para correr em direção a lança e correu. Correu como se tudo dependesse dele correr aquela distância antes das montanhas se recuperarem. De repente, ardência. A força de sua perna esquerda se foi. Birger caiu no chão e gritou de dor, um dardo flamejante, lançado pela montanha que estava esperando, havia atravessado sua perna. O fogo começou a corroer sua proteção de algodão e começou a queimar carne e músculos. O mundo de Aarin parou ao ouvir aqueles gritos, nada era mais importante do que ajudar seu irmão, nem a rebelião, nem matar o Barão, nem voltar para Asta. Birger precisava de sua ajuda. Ele vai morrer queimado. Aarin arremessou seu escudo contra as montanhas e abriu caminho para ajudar Birger mas o fogo já havia se espalhado por toda sua perna e começava a subir para seu torso.

-A lança, Aarin!, Pegue a lança! Você ainda pode jogá-la!, Me obedeça! – Ao dar essa ordem os olhos de Birger ficaram vermelhos e Aarin foi tomado por algo que o fez obedecer a ordem de Birger, ignorando o fogo que estava o matando e fazendo o que lhe foi comandado. Perdoe-me, irmão. Birger se levantou com suas últimas forças e partiu a comprar tempo para seu irmão, impedindo as montanhas de chegar até ele. – Arremesse-a!

Aarin chorava, não conseguia ver seu irmão morrendo na sua frente e não fazer nada, algo o estava impedindo de fazer o que sua mente comandava. Arremessou-a. O barão estava muito longe, sua visão ainda estava comprometida e suas forças já tinha se acabado; aquela lança demorou anos para atingir seu alvo, enquanto ela ia, Aarin fora acertado por um golpe de maça em seu elmo – de novo – e, caindo ao chão, viu aonde a lança acertara. Em cheio, lado direito do peito do Barão, que caiu imediatamente para trás com a força do impacto, uma expressão surpresa na cara e a raiva de mil homens nos olhos. Antes de apagar, Aarin só vira de relance seu irmão quase completamente envolto por chamas, sem a mão esquerda e parte do braço direito, se arremessando em cima das montanhas, na esperança de queimá-las junto com ele e de proteger seu irmão nocauteado. E então zumbidos, dor, escuridão, silêncio.

Vida. E o que fazer com ela

Cá estou, na segunda faculdade e segundo curso em pouco mais de um ano, planejando rumar para os terceiros e posteriormente quartos sem saber o porque de ter começado essa empreitada e nem se o caminho que escolhi é o certo. Certamente essa é uma questão que já bateu na porta da maioria de vocês e, se não, ainda há de fazê-lo: “Será que escolhi o caminho certo?”, “será que vou ter emprego?”, “será que me sentiria melhor em outro lugar?”, “será que mendigar é melhor que estudar cálculo?”… Todas elas me fazem visita constante e anseiam por resposta que simplesmente não sou capaz de elaborar, talvez por falta de maturidade, talvez por ser um dos muitos mistérios da vida – daqueles que a solução é única para cada um – ou talvez porque elas não devem ser respondidas antes da experiência total estar completa.

Já sonhei ser muitas coisas: escritor, piloto, lutador, economista, político, corretor e até mesmo cozinheiro; mas nunca, nunca considerei ser um engenheiro. Não era de desmontar brinquedos quando criança nem de ser fascinado para saber como as coisas funcionam, então, por que? Por que me encontro fazendo uma das mais difíceis de todas as engenharias – A aeronáutica – em uma das maiores universidades da América Latina? Essa é a questão que comanda todas as outras acima; que dorme comigo e me acorda de manhã sem pular um único dia e que me levou a criar este blog. Então, depois de muito refletir, eu e meu chororô chegamos num consenso: O problema é simplesmente a falta de experiência e seu único remédio é a experimentação; quer tenha resultados positivos ou não.

Minha esperança com todo esse carrossel é poder colocar meus devaneios em ordem para que talvez eu possa agilizar o término da fase “Não sei o que fazer da vida” o mais rápido possível. Pretendo postar regularmente nesse blog, reflexões, estórias e histórias, crônicas e quaisquer outras idéias que me venham à tona. Sem a pretensão de tê-las divulgadas mundo afora, mas que ajudem quem devam ajudar e que, acima de tudo, entretenham ambas as partes.

Bjunda.