Tudo está estranho.

Eu gosto do que está acontecendo. Gosto mesmo. A todo lugar que me viro, opiniões sobre homossexuais, mulheres, imigrantes, política, religião e aborto borbulham mais e mais.  Nós estamos finalmente questionando, subvertendo a sociedade tão estagnada que vivemos e é curioso saber qual o posicionamento daquele seu amigo ou amiga de longa data, é curioso saber quais são os verdadeiros ideais que correm nas veias de cada um. Porém, essa situação tem um revés e, no caso, um muito preocupante. Ao invés de termos um debate (onde duas ou mais pessoas querem expor suas idéias, sempre tentando prevalecer a sua própria opinião ou sendo convencido pelas opiniões opostas), temos uma discussão. Discussão (segundo meu amado Google) é a defesa apaixonada de pontos de vista, um desentendimento, uma briga.
Me parece que todos tiveram a súbita vontade de expor seus ideais para o mundo, mas esqueceram que esta via é de duas mãos, que outras pessoas podem ter opiniões diferentes da sua e é isso que gera o engrandecimento do debate. Me parece que a única preocupação é a vontade de se sentir moralmente melhor que os outros, de mostrar que você é um indivíduo sem preconceitos e aberto aos novos ideais da sociedade que estão surgindo. Me parece que todos agora são policiais do politicamente correto, farejando tudo aquilo que não se encaixa nos pontos de vista utópicos propostos para poderem ter a oportunidade de vomitar suas próprias opiniões sobre outros.
Você é a favor do aborto? Se exponha e seja criticado  fervorosamente por fundamentalistas religiosos; você é contra? Se exponha e seja criticado por todo o resto. Acha que casamento gay é bom? Se exponha e sofra na mão de defensores da família; acha que é ruim? Se exponha e seja criticado pelo mundo todo. Acredita que a mulher é extremamente oprimida pela sociedade? Experimente dizer isso para uma bancada evangélica e veja o que acontece; acredita que não? Coitado, feministas e simpatizantes do movimento nunca mais te deixarão em paz. Nada mais é permitido, tudo pode e vai ser criticado por alguém porque ninguém mais quer convencer o outro de sua opinião, esperam que ela seja aceita simplesmente porque é sua, esperam que todos apenas a engulam e fiquem quietos fazendo digestão. No final, o que fazem é andar em círculos sem nem notar a repetição da paisagem.
Há um exagero por parte de muita gente. Qualquer coisinha já é argumento para ser taxado de racista, homofóbico, machista, feminista e todos os outros “-istas” e “-óbicos” imagináveis. Não é porque alguém não gosta de mulher peluda que ele/ela é machista ou é contra a diversidade de corpos. Não é porque alguém acha estranho ver um travesti na rua que ele/ela é homofóbico (ou transfóbico, sei lá. São tantas denominações que me perco). Acalmem-se. São apenas opiniões, estranhamentos. Se você diz que não os tem eu automaticamente concluo que seu objetivo é parecer superior a todos (tudo bem, isso realmente pode não te causar estranhamento algum, mas tenho CERTEZA que não é o caso com a grande maioria). Também me dói ver certas opiniões e brincadeiras com fundo de verdade por aí, claro. Mas pense mil vezes antes de tentar expor algum argumento seu, nas consequências e no resultado que ele pode trazer. Se pergunte “Será que vai ser construtivo?” e se a resposta não for um imediato SIM, maíúsculo e decidido, talvez não valha a pena seu esforço.
Parece faltar calma na ânsia que temos de debater coisas tão novas para a gente. 99,99% de tudo que vi até agora virou briga entre dois lados, principalmente quando o assunto é feminismo ou homofobia. Isso só contribui para o desinteresse de outras pessoas entrarem no debate, afinal, para que tentar dizer o que pensa se ninguém vai realmente te escutar e a probabilidade de te criticarem cegamente por qualquer coisa é muito alta? Tenham mais calma, por favor. Toda essa raiva para defender seus ideais vai acabar afastando muita gente do debate e por fim, polarizar de vez as opiniões, com constantes ataques uma à outra mas sem nenhum consenso no horizonte.
Pense muito antes de defender ou contestar algo, seja um movimento, um  impeachment político, uma religião ou um desastre natural, pense no que isso pode gerar. Se não for contribuir para nada e só vá causar um fuá enorme, aprenda a calar-se quando deve. Suas palavras tem mais poder do que você imagina e elas podem e vão moldar (nem que seja um pouco) a opinião de quem as ouve ou lê.  Você, como um membro exemplar da sociedade que provavelmente é (ou finge ser), tem o importante papel de ajudar a formar os pensamentos de todos ao seu redor e permitir que outros ajudem a formar os seus. Blindar-se a isso só evidencia a ignorância de quem prefere gritar para ser ouvido ao invés de dizer algo que todos queiram ouvir.
Mais calma, gente. E mais respeito com todos também.

O ato vazio que se tornou o panelaço brasileiro e como protestar efetivamente.

Antes de começar a ler, vamos estabelecer 3 coisas:

1- Não estou dizendo que fazemos errado ao protestar. O ato é necessário, meu objetivo aqui é analisar a consequência que ele poderia estar gerando.

2- Não estou apoiando nem criticando algum partido. Antes de me taxar como coxinha ou comunista (que aparentemente são as únicas duas frentes possíveis a se seguir no Brasil), saiba que não é meu objetivo te ensinar como deve ou não reinvindicar seus direitos, afinal, não tenho autoridade nenhuma no assunto.

3- interprete minha palavras como quiser e de preferência, use-as para refletir um pouco mais sobre o assunto que parece ter um conteúdo tão oco.

Não há muito tempo atrás o brasileiro descobriu uma forma de protesto diferente, contemporânea e fácil de ser reproduzida: O “panelaço”. Sempre foi parte de nosso costume assimilar pedaços da cultura de outros países e, no caso, pegamos emprestado o panelaço da Argentina. Mas infelizmente, esquecemos de emprestar a idéia por trás dele.
Aqui, exercemos uma forma distorcida do protesto que começa durante um programa de TV ou pronunciamento em qualquer veículo público e termina apenas no barulho, quando guardamos a panela parcialmente amassada e voltamos para qualquer tarefa mundana que fora interrompida. Falhamos ao supor que apenas protestar é o suficiente, que apenas demonstrar nosso desgosto com o rumo que o país toma ajudará a mudar alguma coisa. Falhamos, enfim, ao não ir além do barulho das panelas.

Não posso ser tão ingênuo a ponto de bater na mesma tecla que todos batem dizendo que apenas protestar não basta, que ficar parado não adianta, que bater panela só atrapalha a vida dos outros por 5 minutos. Não, o botão que procuro apertar está mais escondido, camuflado por trás da concepção de que nosso barulho assustará o grande predador que é o governo atual. Precisamos entender que o protesto apenas começa nas panelas e precisa sobreviver depois delas, a ideologia por trás precisa seguir adiante e não ser reinvindicada apenas no próximo panelaço ou marcha pelas ruas. Mas  então você me diz: “Falar é fácil. Falar que um trabalhador/estudante/aposentado como eu deve correr atrás da mudança é muito fácil mesmo, mas eu tenho meus compromissos a fazer. Tenho minha própria vida para viver, como então posso protestar, a não ser com minhas panelas?”. Minha resposta seria a mais simples e direta de todas: “Você votou, não votou?”

Talvez seu candidato não tenha ganho a eleição (fato que deve ser provável se você adere ao protesto), mas ainda temos deputados, governadores e senadores, todos eles exercem um poder tremendo sobre o cenário político. Que tal cobrá-los pelo que você luta e defende? Que tal lembrá-los que eles estão lá para representar o SEU interesse, não o deles? Ao invés de concentrar toda sua raiva, seu ódio e descontentamento no PT, PSDB, Dilma, Lula, Aécio, Serra ou qualquer outra figura que te encha de indignação, que tal raciocinar e imaginar que eles não controlam o país sozinhos? Que suas ações são apenas o resultado do consenso de dezenas de assessores e líderes que representam só o interesse próprio? Aqui vai um exemplo: Se alguém no seu trabalho ou qualquer lugar que frequenta está claramente fazendo algo de errado e você sabe que pode ajudá-lo a tomar o rumo certo, qual seria a conduta que você tomaria? Toda vez que ele/a começasse a falar você pegaria sua panela e faria um barulho ensurdecedor até que ele parasse? Diria que está fazendo aquilo porque quer a mudança, mas quando te perguntam qual seria ela você não sabe nem ao menos responder? Convenhamos, ninguém agiria assim. O mais sensato a se fazer é exemplificar os problemas para a pessoa e ajudá-lo/a a resolver.

Estamos ainda engatinhando “no que se refere” a melhor forma de extravazar nosso descontentamento; copiando costumes de outros países, tentando inventar os nossos e formando uma massa desorganizada de pessoas que reinvindicam mudanças variadas. Se eu fosse um político, confesso que teria grandes dificuldades para entender exatamente qual deveria ser minha conduta, afinal, o único pedido que conseguiria ouvir seria o “PÁPÁPÁPÁ” incessante do metal vibrando e por trás dele, o absoluto silêncio. Cobre sim as mudanças que você quer, faça suas exigências serem ouvidas, mostre com barulho e garra que você existe, que o Brasil não está num rumo bom e que nada de produtivo sairá da política atual; mas não pare por aí, cobre tudo isso daqueles que você elegeu como representante, faça deles um megafone mais alto que 210 milhões de panelas batendo simultaneamente e veja que, no final, as ruas e as panelas tornar-se-ão um símbolo dessa nossa época de transição e as gerações futuras tomarão nosso exemplo de protesto como base, assim como nos orgulhamos de dizer que tivemos os tão famosos e reproduzidos “caras-pintadas”.

A sensação de que a vida passa cada vez mais rápida

   A vida começa a passar diante de seus olhos logo após seu nascimento. Eras inteiras são vividas nesses primeiros poucos meses, quando você se sente inseparável do próprio mundo em si, sem nada para fazer, a não ser vê-lo passar. A princípio, o tempo é sentido apenas indiretamente, como algo que acontece a outras pessoas. Você se acostuma a viver no momento, porque não há outro lugar para ir. Mas logo, a vida começa a se mover, e você aprende a se mover com ela. E você acredita que é uma pessoa diferente a cada ano, com um corpo diferente… um futuro diferente. Você corre por aí tão rápido que o mundo ao seu redor parece estar parado, até as férias parecem esticar-se por uma eternidade.

     Então, você começa a sentir o tempo se movendo para frente, aprendendo seu ritmo, mas sempre de vez em quando, ele pula uma batida. Como se seu aniversário chegasse um dia mais cedo a cada ano. Devemos considerar a ideia de que a juventude não é desperdiçada nos jovens. Que os dramas deles não são maiores do que deveriam ser, que suas emoções fazem todo o sentido quando você as ajustas de acordo com a inflação. Para alguém passando pela adolescência, a vida soa épica e trágica, simplesmente porque ela é. Cada torção no seu dia pode facilmente deformar o arco de sua história, porque cada ano vale um pouco menos do que o último.

Cada aniversário nós circularmos de volta, e atravessamos o mesmo ponto em torno do sol, e desejamos uns aos outros muitas felicidades. Mas logo você começa a sentir que esse círculo está apertando, e você se dá conta que ele é uma espiral, e você já está na metade. Conforme cada vez mais partes de seus dias se repetem, você começa a se livrar da inércia, e sentir o firme puxão em direção ao seu centro de gravidade, e ao lastro de memórias que você se agarra. Até que tudo parece mover-se sob sua própria inércia, Assim, mesmo quando  você se senta, parece que você está indo  em direção à algum lugar. E mesmo que amanhã você corra um pouco mais rápido, e estique os braços um pouco mais longe, você ainda vai sentir os segundos indo embora enquanto você deriva ao redor da curva. A vida é curta. E a vida é longa. Mas não nessa ordem.

O caso de verônica, e o que eu penso sobre isso.

A essa altura você provavelmente já deve ter lido algo sobre o caso de Verônica Bolina, a travesti que foi espancada, torturada, humilhada e reduzida a menos que um animal selvagem dentro de uma instituição do governo que, em seu propósito original, deveria servir como reabilitação para os transgressores da lei. Mesmo o ocorrido sendo muito recente, já li várias reportagens sensacionalistas errando o ponto a ser abordado apenas para impactar e abranger uma maior quantidade de leitores e, honestamente, fiquei enojado ao lê-las. Verônica não foi agredida por ser negra; Verônica não foi torturada por ser detenta; Verônica foi humilhada apenas por ir contra o que é socialmente aceitável pela maioria da população. Não vá pensando que devemos correr com nossas tochas atrás do sistema carcerário ou dos policiais que permitiram tal barbárie, não. O problema, a raíz do problema, está na concepção errônea de que gays, travestis e a patota toda são uma aberração da natureza e que cabe a quem não os aceita, corrigi-los.
Enquanto a população dos EUA sofre com a síndrome do heroísmo, nós aqui no Brasil lidamos com uma versão mais escrachada da mesma, a síndrome do vigilantismo.  Não foram poucas as vezes que ouvi alguém dizer “Espero que o estuprem na cadeia” – direcionando a frase a algum político preso – ou então “Se eu o encontrasse na rua, enchia de porrada” – Direcionando a qualquer um que cometeu algum crime grave. – O brasileiro, rodeado de constantes injustiças e tantos infratores que conseguem sair impunes da lei apenas por terem poder no âmbito político, tomou a justiça em suas próprias mãos; afinal, se nem a lei a funciona, como fará ele para viver numa sociedade mais justa? Linchamentos, agressões e casos como o de Verônica estão se tornando cada dia mais frequentes e infelizmente estão sendo justificados com o argumento ridículo do “Ele/a mereceu.”
Não, amigo. A polícia não é composta por porcos alienados cujo único objetivo de vida é oprimir e agredir aqueles que a atravessa, apesar da mídia sempre pintá-la como tal. A polícia é apenas um reflexo das piores características de nossa sociedade: opressão, impunidade, intolerânica, corrupção e violência. Enquanto permitimos que o comportamento padrão da maioria seja esse, enquanto permanecemos impotentes perante a tantas indignações, NADA vai mudar. Casos ridículos e inaceitáveis como o de Verônica continuarão a acontecer dia após dia e 99% das vezes não serão divulgados como esse foi. Não adianta fingir que a motivação dessa particular agressão foi movida APENAS pela intolerância a homossexuais pois o problema tem inúmeras camadas antes dessa.
Aqui, um texto mais completo, não tão sensacionalista. recomendo a leitura: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/04/as-suspeitas-e-manipulacoes-no-caso-veronica-bolina.html

Pearl Jam, música.

(texto antigo)

A música é subjetiva, sem dúvida. Eu postar isso não quer dizer que a minha banda é melhor do que a sua ou qualquer outra bobagem. Mas para aqueles que estão à procura de autenticidade, poesia e um zeitgeist humanista, aconselho-os a descobrir Pearl Jam.
Esta é uma tentativa de introduzir pelo menos alguém a um grupo de artistas que realmente mudou minha vida para melhor. Raiva, medo , apreciação, alegria, humildade, gratidão, amor, paixão, perda, dor , perseverança – cada emoção abordada com cuidado e expressadas através de som. Música que te move para cima e para baixo, para os lados, te gira um pouco e a cereja no topo é o seu compromisso com uma performance ao vivo ridiculamente boa.
Eu espero que você vá ouvir “Life Wasted “, ” Rearviewmirror “, ” Sirens”, ” Marker in the Sand “, “Come Back” , “Lightning Bolt” , ” Not For You” e ” Nothingman “…
me senti obrigado a compartilhar depois de ter assistido PJ20 e espero que alguém descubra um pouco do trabalho deles.

Vida. E o que fazer com ela

Cá estou, na segunda faculdade e segundo curso em pouco mais de um ano, planejando rumar para os terceiros e posteriormente quartos sem saber o porque de ter começado essa empreitada e nem se o caminho que escolhi é o certo. Certamente essa é uma questão que já bateu na porta da maioria de vocês e, se não, ainda há de fazê-lo: “Será que escolhi o caminho certo?”, “será que vou ter emprego?”, “será que me sentiria melhor em outro lugar?”, “será que mendigar é melhor que estudar cálculo?”… Todas elas me fazem visita constante e anseiam por resposta que simplesmente não sou capaz de elaborar, talvez por falta de maturidade, talvez por ser um dos muitos mistérios da vida – daqueles que a solução é única para cada um – ou talvez porque elas não devem ser respondidas antes da experiência total estar completa.

Já sonhei ser muitas coisas: escritor, piloto, lutador, economista, político, corretor e até mesmo cozinheiro; mas nunca, nunca considerei ser um engenheiro. Não era de desmontar brinquedos quando criança nem de ser fascinado para saber como as coisas funcionam, então, por que? Por que me encontro fazendo uma das mais difíceis de todas as engenharias – A aeronáutica – em uma das maiores universidades da América Latina? Essa é a questão que comanda todas as outras acima; que dorme comigo e me acorda de manhã sem pular um único dia e que me levou a criar este blog. Então, depois de muito refletir, eu e meu chororô chegamos num consenso: O problema é simplesmente a falta de experiência e seu único remédio é a experimentação; quer tenha resultados positivos ou não.

Minha esperança com todo esse carrossel é poder colocar meus devaneios em ordem para que talvez eu possa agilizar o término da fase “Não sei o que fazer da vida” o mais rápido possível. Pretendo postar regularmente nesse blog, reflexões, estórias e histórias, crônicas e quaisquer outras idéias que me venham à tona. Sem a pretensão de tê-las divulgadas mundo afora, mas que ajudem quem devam ajudar e que, acima de tudo, entretenham ambas as partes.

Bjunda.