A sensação de pertencer

Alguma vez você já olhou ao seu redor ficou extasiado com as novas cores, sons, pessoas e costumes que te cercavam? Já sentiu a adrenalina de mudar seus hábitos familiares, mesmo por um curto período de tempo, e não ver a hora de compartilhar a experiência com seus amigos de longa data? Experimentou a sensação de perceber que o seu mundo é muito pequeno comparado com todos os outros que existem país afora? Se sua resposta foi sim para qualquer uma destas perguntas, parabéns. Você, ao menos uma vez,  saiu da sua zona de conforto, saiu de seu lar.  Claro, muitas pessoas nunca precisaram  e nem precisarão sair do lugar de onde vieram. Nascem, crescem e morrem no mesmo lugar e, ao mesmo tempo que os invejo, sinto pena.

Os invejo pois nunca precisarão sentir o desamparo que é estar um lugar completamente desconhecido, nunca vão duvidar da mudança drástica que escolheram,  nunca precisarão sentir saudade da família e dos verdadeiros amigos que agora são, em sua maior parte, lembranças de um passado distante que esporádicamente reaparecem para saciar a angústia da distância. A vida torna-se mais fácil sem precisar sair do conforto que é estar ao redor de quem realmente importa e, vamos admitir, todos desejamos que a vida seja fácil.

Por outro lado, como disse, sinto pena.  Seu mundo sempre será muito pequeno e muito regional comparado a todos os outros que existem;  as oportunidades e os novos horizontes vão tender a tomar distância dos indivíduos , afinal, só podem aparecer se você for atrás dos mesmos;  a oportunidade de descobrir quem você realmente é e de testar toda a criação absorvida em casa dificilmente irá florescer e, se o fizer, só virá tardiamente e este último ponto, sob meu julgamento, é pior de todos.

A necessidade de pertencer a algum lugar deve ser um ponto vital para manter a sanidade ,  a busca pelo lar sempre será um ponto crítico na vida de cada um. Não sair da zona de conforto pode até não ser um problema tão grande quanto o fiz parecer mas, digo por minha experiência, se o mais novo nômade tiver a coragem e determinação de persistir  e remediar as adversões geradas pela mudança  algum dia elas irão passar e, todas as cores, sons, pessoas e costumes que parecem ter sido esquecidos num lugar muito distante irão retornar; mais fortes, brilhantes e gratificantes, estabelecendo na sua vida, pela primeira vez, um novo lar.

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Por que não ter conteúdo faz tanto sucesso?

Este é daqueles tipos de assunto que sempre terá alguém para reclamar ou criticar sem nem ao menos adicionar um ponto de vista diferente à discussão. Meu objetivo com esse texto não é o de dar um veredito final ao assunto, muito menos te convencer que estou certo, mas sim, de expor o meu ponto de vista, meu lado da história e, esperançosamente, ouvir a opinião de vocês. Sem mais delongas, vamos ao ponto: Por que o esforço, trabalho duro, dedicação e talento muitas vezes passam despercebidos em nosso meio sem ao menos terem reconhecimento e algo, por exemplo, como uma música de funk cantada por um menino de 12-13 anos , exaltando bunda, peito, rebolada e festa, tem tanto espaço na mídia e gera retornos inimagináveis por tão pouco esforço e talento?
A resposta é simples: Nós gostamos do simples. Gostamos de assistir e ouvir certas coisas só para depois disseminar o absurdo para outras pessoas “Olha só fulano! Olha o que esse menino/a fez, olha o que ele/a ta falando!”. Não nego que fiz e ainda faço coisa do tipo, mesmo sabendo que tal conteúdo não acrescenta nada na vida de ninguém e mesmo sabendo que estou incentivando a aparição de mais dessas assombrações, cada vez mais escrachadas e sujas. O mesmo vale para livros, séries, filmes e até mesmo os protestos sem objetivo claro (que viraram moda no Brasil). Para exemplificar, bastam apenas 2 passos; pergunte-se: Quantas pessoas você conhece que já leram o polêmico “50 tons de cinza”?, agora, reformule a pergunta:  Quantas delas já leram algum livro sobre política? sobre filosofia? sobre questões sociais? Meu objetivo deve se esclarecer trivialmente, a resposta, claro, é no máximo muito baixa; e o resultado reflete o que venho tentando dizer até agora: O conteúdo sem-conteúdo é muito mais interessante do que um outro que requer tempo e dedicação para começar a entender seu significado. Claro, uma boa faculdade e um bom curso superior obviamente vão te levar à algum lugar e, infelizmente, ser um personagem midiático de circo que entretêm a população quase que desesperadamente também te leva, mas te leva numa Mercedes.
Sempre vejo, no meu próprio nicho da área de engenharia, pessoas depois de anos e anos de trabalho duro, cansativo, desmotivador e difícil aceitando trabalhos que são um insulto a toda sua dedição, pelo simples motivo de ser a ÚNICA saída, tendo em vista a dificuldade de encontrar emprego que faça jus a todo o sofrimento passado. Enquanto isso, a mulher que se injeta que com um hidrogel e um cara que só quer que o monstro venha ganham rios de dinheiro com publicidade por simplesmente serem o ápice do culto ao nada. Meu sensor de injustiça sobe, sobe e explode o medidor. Depois, volta ao 0, pois percebo minha impotência perante o tanto de dinheiro gerado por todas as futilidades. Me resta só aceitar, expor minha opinião e ser apenas mais um frustrado.
Após ler todo este texto, sabe o que vai mudar? Nada. Disse que meu objetivo era simplesmente expor minha opinião sobre o assunto e ficarei muito feliz se consegui fazer com que ao menos uma pessoa entendesse o meu ponto de vista. Toda crítica é bem-vinda, e, se quiser, eu gostaria de também saber o seu ponto de vista!
Bjunda.