O que te motiva?

Trabalho, tarefas, provas, testes, afazeres da casa, contas a se pagar, dívidas a quitar, aquele obstáculo ou pessoa que sempre te impede de cumprir os objetivos com facilidade, prazos, imprevistos, trânsito e o tempo te empurrando incessável e incansávelmente até o dia que não conseguirá mais acompanhar seu passo. Com todos estes pontos, todos estes empecilhos e estresses (muitas vezes indesejados) que encaramos dia após dia, o que realmente nos mantém nos trilhos? Família? Amigos? Dever? Rotina? Ou será isso simplesmente nossa programação natural, pré-programada em nosso DNA e reforçada ao longo de anos de criação?
Se você sente prazer em realizar todas as tarefas de todos os seus dias, sinto muito, não escrevi este texto direcionado a você. Você não precisa ler o que está aqui contido pois já achou seu propósito na vida e provavelmente, algum bom motivo para trilhar seu caminho; aconselho que pare por aqui e vá fazer algo de mais produtivo com seu tempo. Me direciono àqueles que alguma vez já se perguntaram o porque de continuar fazendo o que fazem sendo que, muitas vezes, os obstáculos parecem muito grandes, as condições muito adversas, as tarefas muito irritantes. Por fim, àqueles que esporadicamente desejam jogar tudo para o alto e, desculpe a expressão, “que se foda”.
Antes de tudo, acho que preciso considerar os objetivos maiores por trás do porquê se sujeitar a tais desaforos. Prover para sua família talvez seja a melhor e mais aceitável justificativa de todas. Por mais que eu não tenha a idéia de como é essa sensação, tenho certeza que me sujeitaria as tarefas mais humilhantes da terra para simplesmente poder provê-los com o melhor que posso. A segunda, mas não menos importante, creio que seja a vontade se tornar alguém. Não foram poucas as vezes que me senti inspirado por histórias de professores ou colegas que batalharam muito para chegar aonde estão e tenho certeza que você já sentiu o mesmo. Se 5, 10, 15 anos de esforço árduo são necessários para ser alguém respeitado na área desejada, o sacrifício merece reconhecimento e respeito, pois é um dos mais nobres de todos.
Por mais que as dificuldades lhe tenham feito visita diversas vezes e as dúvidas do porquê continuar foram/são parceiras constantes do seu trajeto (qualquer que seja o destino) e você continuou a perseverar apesar dos motivos para desistir, parabéns. Você tem o meu mais sincero respeito e admiração; sei que terminar algo começado é uma qualidade extremamente valiosa na sociedade imediatista de hoje e achar uma motivação mais forte que as desavenças é sim um trabalho árduo.
Todavia, eu não gostaria de viver num mundo aonde tudo viesse fácil, aonde todos soubessem exatamente o que gostariam de fazer e tudo corresse com fluidez. Utopias me parecem extremamente monótonas, sob a minha concepção, a real graça da vida está nessas pequenas imperfeições que nos circulam como uma constante, sempre lá para proporcionar o imprevisto, sempre lá para nos surpreender. Se tudo sempre desse certo, o sentimento de realização e de finalmente chegar ao que se deseja depois de muito trabalho e dedicação, não existiria. Para mim, esse sentimento é uma das motivações mais fortes para continuar fazendo o que faço e não abriria mão de almejá-lo por obstáculo nenhum.

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A sensação de pertencer

Alguma vez você já olhou ao seu redor ficou extasiado com as novas cores, sons, pessoas e costumes que te cercavam? Já sentiu a adrenalina de mudar seus hábitos familiares, mesmo por um curto período de tempo, e não ver a hora de compartilhar a experiência com seus amigos de longa data? Experimentou a sensação de perceber que o seu mundo é muito pequeno comparado com todos os outros que existem país afora? Se sua resposta foi sim para qualquer uma destas perguntas, parabéns. Você, ao menos uma vez,  saiu da sua zona de conforto, saiu de seu lar.  Claro, muitas pessoas nunca precisaram  e nem precisarão sair do lugar de onde vieram. Nascem, crescem e morrem no mesmo lugar e, ao mesmo tempo que os invejo, sinto pena.

Os invejo pois nunca precisarão sentir o desamparo que é estar um lugar completamente desconhecido, nunca vão duvidar da mudança drástica que escolheram,  nunca precisarão sentir saudade da família e dos verdadeiros amigos que agora são, em sua maior parte, lembranças de um passado distante que esporádicamente reaparecem para saciar a angústia da distância. A vida torna-se mais fácil sem precisar sair do conforto que é estar ao redor de quem realmente importa e, vamos admitir, todos desejamos que a vida seja fácil.

Por outro lado, como disse, sinto pena.  Seu mundo sempre será muito pequeno e muito regional comparado a todos os outros que existem;  as oportunidades e os novos horizontes vão tender a tomar distância dos indivíduos , afinal, só podem aparecer se você for atrás dos mesmos;  a oportunidade de descobrir quem você realmente é e de testar toda a criação absorvida em casa dificilmente irá florescer e, se o fizer, só virá tardiamente e este último ponto, sob meu julgamento, é pior de todos.

A necessidade de pertencer a algum lugar deve ser um ponto vital para manter a sanidade ,  a busca pelo lar sempre será um ponto crítico na vida de cada um. Não sair da zona de conforto pode até não ser um problema tão grande quanto o fiz parecer mas, digo por minha experiência, se o mais novo nômade tiver a coragem e determinação de persistir  e remediar as adversões geradas pela mudança  algum dia elas irão passar e, todas as cores, sons, pessoas e costumes que parecem ter sido esquecidos num lugar muito distante irão retornar; mais fortes, brilhantes e gratificantes, estabelecendo na sua vida, pela primeira vez, um novo lar.